Relacionamento Abusivo

Socorro, preciso de ajuda! Estou num relacionamento abusivo!

Quantas vezes nos deparamos com esse pedido de ajuda, de mulheres e mães desesperadas, que não aguentando mais, finalmente gritam por socorro. Em geral estão desesperadas, perdidas, sem nem saber qual direção tomar. Não sabem se saem de casa, se procuram ou não um (a) advogado (a), se tentam “consertar” o relacionamento fazendo uma terapia de casal, ou se aguentam por mais um tempo – por causa dos filhos ou por causa da situação financeira vulnerável em que se encontram. Se sentem sós, indefesas e desnorteadas como uma folha rodopiando em um grande vendaval.

A situação é ainda mais crítica quando se encontram num país diferente do seu, sem familiares por perto, sem entenderem direito as leis do local, sem saberem se ficam ou se voltam para a sua terra natal. Em geral, a maioria dessas mulheres não quer contar pra família o que elas estão vivendo em terra distante. Sabem que só iriam deixar os próprios pais e entes queridos preocupados, e isso só lhes adicionaria mais estresse.

Então nessas horas, seja a chamada do pedido de socorro numa noite, ou num final de semana, ou no inicio de um dia que mal desponta, a nossa pronta acolhida é essencial. Isso significa parar e dar a mão à uma companheira de jornada que está prestes a cair, sem poder continuar a caminhada. Precisamos sempre amparar uma mulher numa situação dessas. Sempre. Sejamos nós suas amigas ou mesmo desconhecidas, moremos perto ou distante, temos que sempre lhes dar a mão. E a razão é porque muitas vezes o pedido de socorro só ocorre nas grandes crises: essas são as horas dos redemoinhos mais fortes, quando o vendaval as está levando.

Feito o acolhimento inicial, o passo seguinte e imediato é procurar saber se o abuso além de psicológico também é físico. Se houver abuso físico é necessário chamar a polícia imediatamente, pois se o abuso chegou nesse ponto não se sabe o que mais pode acontecer, alem de ser necessário socorrer a vítima da agressão o mais rápido possível.

Se o abuso não envolveu agressão física, então é necessário dar apoio psicológico. A escuta é muito importante. Muitas vezes só o ato de “se escutar” faz a vítima se acalmar e ter uma pausa pra clarear pra si mesma a verdadeira situação, ou seja, enxergar melhor o que está por trás do nevoeiro. Isso evita que tome decisões impetuosas e precipitadas que podem lhe trazer consequências indesejadas ou consequências para as quais não está preparada.

Não é necessário ser um (a) psicólogo (a) pra ajudar uma pessoa em desespero porque muitas vezes essa pessoa não tem um (a) psicólogo (a) para acessar no momento. Por isso escrevi este artigo, em forma de conversa, pra quem ajuda e pra quem é ajudado (a). Resolvi usar expressões populares bem conhecidas que vão direto ao ponto.

Em horas de desespero não se deve “ficar atiçando” a pessoa a fazer nada que seja precipitado. E isso faz parte do bom senso; nossas avós já haviam ensinado essa verdade que até hoje nunca perdeu a validade: decisão tomada com a cabeça quente nunca dá e nunca deu certo pra ninguém.

É importante desabafar sim, mas não tomar decisões sem antes ter pensado em todas as consequências com calma e inteligencia. Muitas vezes a vítima não entende nem as leis básicas da separação ou do divórcio de onde mora, e essas podem determinar toda a vida futura dela e das crianças.

Também não se deve ficar ” pondo mais lenha na fogueira” – quanto mais lenha na fogueira , maior o fogo e a destruição que esse causa. Se vocè sabe que aquele marido dela não presta mesmo, ou se ele andou dando bola pra você ou se você o viu com a sua vizinha, guarde essa estória prá você mesma, a deixe onde estava.

Outra coisa óbvia: jamais incentive a pessoa que está sob tamanho estresse a sair para se divertir e fazer coisas “para compensar”, tais como ir beber, ou se encontrar com um outro homem enquanto está num relacionamento com o namorado ou o marido, e outros comportamentos que na hora podem até parecer atraentes à ela – quem está num vendaval , dentro de um nevoeiro total, muitas vezes fica completamente cega (cego) ao bom senso. E é quando pensamentos de revolta e de vingança podem até parecer respostas atrativas (mas não passam de lobos maus vestidos de cordeiros, prontos a armar uma cilada para abocanhar de vez a Chapeuzinho Vermelho).

Então é importante estar alerta a todos os pensamentos impetuosos que podem agarrar a mente da pessoa em momentos de desespero e confusão, e afastá-los dela.

Afastar os pensamentos impetuosos da pessoa que está sofrendo e ao mesmo tempo se revoltando, e querendo tomar uma decisão precipitada, é o que todos nós devemos fazer.

A próxima etapa vem quando a pessoa já se acalmou o suficiente e pode começar a pensar com mais clareza. Só nessa etapa é que se inicia um processo de análise da situação, a procura de informações importantes que não se tinha ainda, e é quando se inicia o processo da tomada de decisão. E como cada situação é única e tem elementos individuais únicos em cada situação, não há uma solução igual para todos os casos. O que funcionou pra um casal não necessariamente é adequado ou a melhor solução para outro casal.

Mas para todos os casos, esse tempo de deixar a tempestade passar, e estar firme com os pés em local seguro, é muito importante! Já vi muita mulher perder a cabeça durante esses momentos e pagar muito caro por isso mais tarde.

Não tomar decisões no meio do nevoeiro é uma imagem que por si só já diz tudo, pois quando não se enxerga nem um palmo adiante do nosso nariz, não temos como tomar a direção mais acertada. Precisamos antes enxergar os caminhos, ou as alternativas que temos à nossa frente.

Portanto quando precisarem socorrer alguém numa situação de relacionamento psicológico abusivo, lembrem-se de todos esses passos. E se for você que estiver nesse relacionamento abusivo, esses passos são o seu “salva vidas”.

Com seu “salva vidas” você tem muito mais probabilidade de sair de um relacionamento abusivo inteira e com a cabeça no lugar. Ou seja, com segurança econômica, com reputação intacta, com dignidade e com auto respeito que vale muito mais do que tudo o que os outros falam ou falarão de você.

Ah, e mais um pequeno lembrete: Nunca deixe ninguém tomar a decisão por você. Ouça os conselhos das pessoas que lhe querem bem, pondere tudo, mas tome as suas próprias decisões. E a decisão que tomar -seja ela qual for – com certeza será a melhor e a mais adequada à você (e a seus filhos).

Uma mulher inteligente sempre sabe o que é melhor pra ela e para seus filhos. E se você se interessou em ler esse artigo, posso concluir que é uma mulher inteligente; se não fosse, não procuraria informação para suas próprias dúvidas.

Terapias de apoio podem ajudar muito numa situação de relacionamento de abuso psicológico, e muitas vezes a terapia de casal é indicada para ver se há possibilidades de reconstrução do relacionamento dentro de um contexto emocional positivo. Situações de muito estresse, de muita ansiedade, ou mesmo de depressão que são ignoradas e não são cuidadas, podem levar a comportamentos abusivos agressivos dentro de uma relação. Os comportamentos abusivos escondem por trás de si problemas emocionais que gritam por atenção. Muitas vezes as mulheres se tornam alvo de agressões desse tipo e não sabem como lidar com elas, e nem com a situação em que se encontram. E há uma variedade de situações diferentes que entram dentro dessa mesma classificação de “relacionamentos abusivos”. A procura de profissionais de ajuda é sempre uma boa idéia.

Escrito por Virginia MS Pearson, Ph.D.

Publicado por virginiampearson

Ph.D. em Psicologia Social e Gerenciamento Internacional. Consultora para Multinacionais, foi professora de cursos de mestrado e MBA para varias universidades americanas. CEO da Empresa de Consultoria e Treinamentos Global Aliance USA. Doutorado especializada em Psicologia Intercultural. Psicanalista Clínica, Hipnoterapeuta Clínica, Life Coach, NLP practioner, pedagoga, educadora, mestre em Psicologia Social.

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